Como escrever uma carta de apresentação (sem parecer um robô)
Um recrutador que recebe 150 candidaturas para uma vaga não vai ler 150 cartas de apresentação com atenção total. Vai ler as primeiras duas linhas de cada uma e decidir, ali mesmo, se continua ou passa à próxima. É por isso que a abertura importa mais do que qualquer outra parte da carta.
E é também por isso que uma frase como "Venho por este meio candidatar-me à vaga de..." não ajuda nada: é a abertura que 90% das cartas usam, o que significa que não diz absolutamente nada sobre ti.
A estrutura que funciona
Não precisas de reinventar nada. Uma carta de apresentação boa tem quatro partes, e cada uma tem um trabalho específico a fazer:
- Abertura direta. Diz logo a que vaga te candidatas e uma razão concreta pela qual és relevante para ela. Nada de rodeios.
- Porque encaixas na vaga. Um ou dois exemplos concretos da tua experiência que se ligam diretamente ao que a vaga pede. Não repitas o currículo: escolhe o que é mais relevante e desenvolve.
- Porque queres esta empresa especificamente. Uma frase que mostre que sabes o que a empresa faz e porque te interessa, não uma empresa qualquer.
- Fecho com ação. Disponibilidade para uma conversa e agradecimento breve. Sem drama, sem suplicar.
O que evitar
Há um conjunto de hábitos que, sem querer, fazem uma carta soar genérica ou artificial:
- Repetir o currículo por outras palavras. A carta existe para complementar o currículo, não para o parafrasear. Se está lá, não precisa de estar aqui outra vez.
- Frases feitas sem substância. "Sou uma pessoa dedicada e com grande capacidade de trabalho em equipa" podia estar em qualquer carta, de qualquer pessoa, para qualquer vaga. Não ajuda ninguém a perceber-te melhor.
- Tom demasiado formal ou demasiado informal. Nem "Excelentíssimos Senhores" nem gírias. O ponto certo é profissional mas humano: como falarias numa entrevista, não como escreverias uma carta oficial do século passado.
- Cartas com mais de uma página. Se não consegues dizer o essencial em três ou quatro parágrafos, estás provavelmente a incluir coisas que não interessam.
Abertura fraca vs. abertura forte
A diferença entre uma abertura genérica e uma que capta atenção é mais simples do que parece:
Fraca: "Venho por este meio candidatar-me à vaga de Assistente Administrativa anunciada no vosso site."
Forte: "Nos últimos seis anos, geri a faturação e o apoio ao cliente de uma carteira de mais de 100 contas ativas, exatamente o tipo de responsabilidade que vejo descrita na vaga de Assistente Administrativa que publicaram."
A segunda versão diz a mesma informação básica (que te candidatas a esta vaga), mas já mostra quem és e porque interessas, em vez de só anunciar uma intenção.
Adapta sempre à vaga
A tentação de escrever uma carta genérica e enviar a mesma para tudo é grande, sobretudo quando estás a candidatar-te a várias vagas ao mesmo tempo. Mas é precisamente isso que um recrutador experiente deteta em segundos: uma carta que podia ter sido enviada para qualquer empresa da área raramente convence alguém a avançar. Não precisas de reescrever tudo de raiz por cada candidatura; basta ajustar a segunda e a terceira parte (o encaixe na vaga e o porquê da empresa) para cada caso.
Se ainda estás a organizar o currículo em si antes de pensar na carta, este guia sobre como fazer um currículo cobre a base toda.
Se preferes não gastar horas a lutar com a carta perfeita
O plano Completo do CV Certo inclui uma carta de apresentação adaptada à vaga a que te candidatas, escrita a partir da tua experiência real, sem inventar nada.